| Cristian Tizzi/Gazeta do Povo |
|---|
![]() |
Cascavel – O cumprimento de reintegrações de posse pela polícia paraguaia no início dessa semana de duas áreas em Itakiry aumentou o clima de tensão entre brasiguaios e carperos (sem-terra paraguaios). A medida foi necessária uma vez que o brasiguaio proprietário de uma das áreas estava sendo impedido de fazer o cultivo da área desde o início do ano, acarretando prejuízos.
A polícia paraguaia fez a escolta e cumpriu a determinação judicial. Funcionários da fazenda utilizaram máquinas pesadas para destruir os barracos enquanto os carperos acompanhavam de longe toda a operação. De acordo com o produtor Jair Walger, os carperos ameaçavam atear fogo na sede da fazenda e nos maquinários, além de fazer ameaças constantes aos funcionários. “Não nos restou alternativa a não ser recorrer ao Judiciário e resolver de vez essa situação”, disse.
Agora, os carperos estão dispostos a adotar estratégias mais radicais e começam a colocar em prática uma ação mais contundente voltada à invasão de outras propriedades pertencentes aos brasiguaios. Assim que o policiamento deixou o local, os carperos, insatisfeitos e revoltados com a desocupação, retornaram à fazenda e atearam fogo em lavouras. Até o fim da tarde de ontem, mais de cem hectares com soja haviam sido dizimadas pelo fogo, resultado da ação enfurecida dos carperos. Outras propriedades pertencentes a brasiguaios também enfrentam o mesmo problema. Uma empresa do Paraguai alega ser a proprietária legítima das terras em que estão assentados os brasiguaios.
Temendo qualquer tipo de reação dos carperos, os policiais paraguaios estão de prontidão na zona de conflito. Há outro grupo de policiais que impedem o acesso por estradas rurais e o cultivo nas propriedades, justificando que apenas estão cumprindo ordens judiciais. Na semana passada, um brasiguaio tentou pulverizar uma área e teve seu maquinário atingido por uma rajada de metralhadora. Por sorte, ninguém ficou ferido. “Trabalhar 40 anos no país e não ter segurança para plantar é frustrante”, afirma o agricultor Mauro Jacob.
COMISSÃO EXTERNA
Encabeçada pelo deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), uma comissão externa designada pelo presidente do Congresso Nacional, Marco Maia (PT-RS), pretende nos próximos dias se deslocar até o Paraguai e se reunir com autoridades do país vizinho e brasiguaios. A intenção é preparar um relatório e apresentar para o governo federal como forma de mediar o conflito. A comissão terá entre oito e dez membros. “O Brasil precisa interferir o quanto antes e defender os interesses dos brasiguaios, produtores que abdicaram anos de suas vidas para erguer e solidificar o patrimônio no Paraguai”, diz Kaefer.




Comentários